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Inteligência social e a prática do networking

Postado em: 27/04/2009
Por: Fábio Azevedo

“…o ápice do sucesso profissional ou pessoal depende do estímulo, das escolhas, e principalmente deste exercício cotidiano fantástico que é a prática incessante do networking…” Fábio Azevedo

Cultivar relacionamentos é literalmente construir novas oportunidades, aquele profissional que busca incessantemente relacionar-se e transitar em todas as rodas, desenvolve e aperfeiçoa sua inteligência social. O mundo já sabe que não possuímos uma única inteligência como julgávamos décadas atrás, nas quais o QI (Quociente de Inteligência) era a única medida para a inteligência de um adulto. Os primeiros testes de avaliação da inteligência, se desenvolveram na antiga China por volta do século V, com a função de orientar e “encaixar” cada indivíduo dentro de trabalhos e tarefas especificas e adequadas ao seu perfil intelectual, desta forma, o Império Chinês conquistou uma evolução gradual, tornando-se o mais influente e organizado do antigo oriente.

Mas foi Wilhelm Stern em 1912 que propôs a criação e utilização do termo QI ou Quociente de Inteligência, que representaria desta forma, o nível mental de um indivíduo. Mas somente em 1939, o primeiro teste de QI foi elaborado de forma explícita com aplicação em adultos, por David Wechsler. Um passado recente, mas já superado pela psicologia moderna. Mesmo ainda utilizados, sabe-se que os testes de QI atuais, já não medem mais o nível real da inteligência, alias, ainda não existe um consenso, uma unanimidade sobre o que realmente é “inteligência” e seus fatores medidores projetados teoricamente. Identificar os níveis da inteligência humana é um trabalho muito mais profundo, que desce a níveis ainda obscuros da mente humana.

O renomado psicólogo Daniel Goleman, autor do best seller Inteligência Emocional, criou um guia para a compreensão e utilização desta inteligência, e ao contrário das aplicações e diretrizes do QI, estável ao longo da vida do indivíduo, ele define que a inteligência emocional pode ser desenvolvida ao longo da vida. Em resumo, podemos aprender a utilizar as competências da inteligência e assim, evoluirmos intelecto e socialmente!

Goleman nos mostra que a inteligência social é a real aplicação da inteligência emocional no mundo das relações interpessoais. Desta forma, começamos a compreender que para sermos socialmente inteligentes, precisamos de fato, conviver socialmente. Isso mesmo, nós construímos e desenvolvemos a inteligência social interagindo no meio em que vivemos, estimulando nosso cérebro com cultura, conhecimento, costumes, hábitos. Essas experiências novas e contínuas, desencadeiam valiosas conexões neurais em nossa máquina cerebral, que moldam nossas emoções, criando desta forma, um ser humano sociável, empático, totalmente adaptável ao meio e ao convívio social.

No mundo atual, vivemos a era das inteligências múltiplas, e estas, podem ser menos ou mais ativadas em nosso cérebro, e os fatores determinantes dependerão das oportunidades disponíveis no ambiente sócio-cultural, e das decisões e escolhas pessoais ou do grupo de convívio. Estes fatores são tão específicos e variantes, que moldam o ser humano como espécime único, com inteligências diferenciadas e totalmente adaptadas ao meio.

Uma das competências mais requisitadas e apreciadas no universo profissional é a inteligência social, capacidade que proporciona maior colaboração entre indivíduos, desenvolvendo a empatia e a habilidade de trabalhar em grupo e conviver em comunidade, com maior interação, envolvimento e comprometimento.

Praticar networking, é sem dúvida alguma praticar o desenvolvimento da inteligência social, este exercício diário tão presente na vida dos que habitam o mundo dos negócios, deve ser feito por toda e qualquer pessoa, e até mesmo aqueles que não sabem o que significa networking, o praticam diariamente em menor ou maior grau.

Goleman nos ensina que a “construção dos nossos relacionamentos” - vamos chamar aqui de networking -, não moldam apenas nossas experiências, mas principalmente nosso corpo físico, literalmente nossa biologia. Isso pode nos afetar de maneira maligna ou benigna, pois somos o que vivemos! Relacionamentos desagradáveis constroem verdadeiras “bombas-relógio” emocionais dentro de nós, que são montadas lentamente ao longo da vida, prontas para explodir tomando formas como: Descontrole emocional, estresse, ansiedade, doenças cardíacas e respiratórias, úlceras entre tantos outros males que afligem a população contemporânea.

Já os relacionamentos agradáveis, são celeiros de experiências positivas e saudáveis ao nosso corpo e principalmente ao cérebro, abastecendo-o de informações que construirão o ser profissional e social que nos tornamos pouco a pouco, apto e disposto ao relacionamento interpessoal.

Obter os benefícios do networking não é difícil, mas exige empenho e dedicação full time, pois como vimos até agora, estamos sempre em processo contínuo de trabalho e desenvolvimento de nossa inteligência social. Um cérebro menos ou mais sociável, é fruto do exercício do convívio, do relacionamento e do acúmulo de experiências desde a mais tenra idade.

No mundo dos negócios, os que possuem cérebros mais sociáveis, são os que quase sempre puxam a fila dos bem sucedidos, dos exemplos a serem seguidos, aqueles que servem de estímulo para alcançarmos nossos objetivos de sucesso.

Podemos concluir, que conquistar o ápice do sucesso profissional ou pessoal depende do estímulo, das escolhas, e principalmente deste exercício cotidiano fantástico que é a prática incessante do networking, que nos leva de encontro a redes de relacionamento sólidas, gerando experiências valiosas, que lapidadas pelo convívio, constroem nossa inteligência social.

Networking é muito mais que relacionamento, seria desperdício adjetivar de forma tão simples uma prática tão importante para a nossa formação humana. Fazer networking é realmente transpirar emoções, como diria Goleman, “interagir cérebro a cérebro”, e é exatamente a química desta mistura de experiências, vidas, emoções e inter-relações, que produz a fórmula para a criação dos “seres humanos de sucesso”.

Por isso, não perca tempo, comece agora a construir relacionamentos, interaja, participe, opine, conviva, faça parte, pratique networking com sua alma e seu corpo, e não esqueça do órgão principal, seu cérebro, pois ele é a residência de sua tão valiosa inteligência social.

Sucesso sempre!


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